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Você se lembra dos resultados de seu último check-up?
Revista MELHOR Gestão de Pessoas - Abril2008 nº245

por Fabíola Lago

Débora, do Fleury: iniciativas simples podem trazer bons resultados.
Memória parece ser um dos grandes vilões da saúde do executivo. Se não, vejamos: entra ano e sai ano, dados coletados a partir dos check-ups desses profissionais apontam quase sempre para os mesmos problemas de saúde e para a necessidade de adoção de hábitos mais saudáveis por parte desses homens e mulheres de negócios. Mas a cada ano o número de executivos que "esquecem" essas recomendações se mantém - ou até aumenta. Levantamento recente do Hospital Sírio Libanês (HSL), por exemplo, mostra que 70% dos executivos não aderem aos tratamentos recomendados após seus check-ups anuais. Assim, já é consenso entre especialistas a necessidade de se fazer um gerenciamento de saúde mais contínuo entre um check-up e outro - um passo importante para a qualidade de vida.

E esse tema exige, na opinião da coordenadora de check-up do HSL, Danielle Haddad, um programa sério, com objetivos, metas e bons parceiros, além de continuidade e mapeamento. "Um mau investimento pode se converter em prejuízo para a empresa", alerta a coordenadora. Segundo ela, o acompanhamento da saúde é fundamental para ajudar o executivo a mudar seu estilo de vida, uma vez que, sozinho, ele não consegue.

A médica acredita que a falta de tempo e a pressão por mais resultados são, de fato, grandes obstáculos. No entanto, ela reforça que, apesar de esse ser um quadro irreversível num mercado competitivo, o executivo deve refletir se se encaixa dentro desse perfil, se consegue gerenciar o estresse, se sabe escolher prioridades e, ainda, se é capaz de cuidar da própria saúde. "Caso contrário, é melhor sair, pois o sofrimento só tende a aumentar", alerta.

Evandro Machado Lopes Filho, médico administrador do Check up Med, observa que o executivo, quando realiza essa série de exames, na maioria das vezes não está sentindo nada. Além disso, prefere tomar um remédio a fazer atividade física. Segundo ele, cerca de 80% dos problemas cardiovasculares podem ser evitados com medidas preventivas. Porém, as pessoas costumam não valorizar pequenas ações do dia-a-dia porque não enxergam seus resultados em curto prazo. "A expectativa de vida aumentou, mas como as pes­soas querem chegar aos 80 anos sem tomar as medidas preventivas?", questiona Lopes.

Para ele, as empresas precisam gerenciar melhor as informações que o check-up gera e propor uma mudança de estilo de vida por etapa. "Há várias maneiras de fazer isso, como identificar grupos de executivos com maior risco - sedentários, obesos e tabagistas - e propor a eles a prática de atividades físicas personalizadas ou criar um jornal específico sobre saúde", explica.

No entanto, também é preciso ter cuidado para que esse novo veículo de informação não faça parte de uma série de outros sem os quais o executivo não pode viver - e a esse somam-se outras formas de obter informação e qualquer outro tipo de conhecimento. É como o diretor médico da Bioqualynet, Sérgio Cagno, resume: o homem atual vive em intensa ansiedade de estar "plugado" durante 24 horas. "A nova configuração econômica cria situações de conference call com diferentes fusos horários, por exemplo", afirma o médico, que diz conhecer executivos que acordam de madrugada para verificar seus e-mails.

Um dos principais reflexos desse estilo de vida, plugado e sedentário, é o ganho de peso, conforme relata o médico Renato Bertolucci, do Hospital Osvaldo Cruz. "Do total de executivos que passam pelos check-ups, 60% se encontram fora do peso ideal e 32% acima do peso. Esse mal afeta 27% das mulheres", conta.

Bertolucci explica que os maiores problemas causados pelo sobrepeso são as síndromes metabólicas, que são a redução do colesterol bom e aumento da triglicérides, aumento de hipertensão arterial e quadro de pré-diabetes. "Entre os sinais que apontam a síndrome está a obesidade abdominal. Esses sintomas acometem 30% dos homens e 7% das mulheres", explica. E para quem começa a se preocupar ao olhar para baixo, um recado: das causas que levam ao infarto, explica o médico, 80% poderiam ser evitadas com medidas preventivas. "São, em sua maioria, arteriosclerose e aceleração do envelhecimento do sistema vascular, enfermidades causadas fundamentalmente pelo sedentarismo e pela má alimentação", completa.

Como reverter esse quadro? Como fazer com que os executivos literalmente mexam-se contra isso? Atrelar os índices de saúde aos bônus de final de ano é uma das saídas apontadas por Cagno. Para ele, as empresas deveriam, também, apostar em campanhas que mexam com a auto-estima do profissional, já que não há limitação financeira que impeça esse público de cuidar da saúde. "É preciso mostrar a eles que ir à academia em vez de tomar um vinho é benéfico", enfatiza o diretor da Bioqualynet.

O coordenador de check-up do Hospital do Coração (HCor), Leopoldo Piegas, concorda e sugere que essas companhias tenham sistemas próprios para acompanhamento de saúde da equipe. Uma medida simples, apontada por ele, é, durante três vezes por semana, os executivos chegarem meia hora mais cedo para praticar alguma atividade física. "Isso já seria um passo importante na prevenção de doenças cardiovasculares", afirma.

Para quem imagina ser quase impossível adotar essas medidas, a diretora da Ecos - Educação Corporal e Saúde, Daniele Kallas, conta que existem muitos executivos expostos às mesmas condições que são saudáveis e conseguem gerenciar o próprio estresse. "De fato, as pessoas estão trabalhando demais e não há como mudar esse volume de trabalho. Quem tem de mudar é o ser humano, estabelecendo limites para abrir e-mails e retornar ligações, por exemplo", diz ela, que também é professora de educação física e mestre em Ciências da Saúde pela Universidade Federal de São Paulo (Unifesp).

Alto impacto
E nessa mudança, as empresas têm seu lugar de destaque. Uma primeira contribuição, segundo o diretor do Fleury Medicina e Saúde, Nelson Carvalhaes, é a adoção de programas de promoção de saúde entre um check-up e outro, uma vez que apenas os resultados dos exames por si só não incentivam muito o executivo.

Além disso, a organização pode preparar iniciativas simples, porém de alto impacto, como lembra Débora Stiebler, gerente de promoção e saúde do Fleury. "Um exemplo é disponibilizar carrinhos com lanches e frutas no meio da manhã e da tarde. Além disso, podem-se criar grupos de corrida, fazer pequenas competições - isso tudo com o envolvimento do alto escalão da empresa. São ações que trazem boas performances na área de promoção da saúde", diz Débora. E podem evitar altos gastos com hospitais no futuro. Débora destaca que uma cirurgia de ponte de safena pode custar o valor de uma campanha de promoção de saúde para um departamento inteiro da empresa, por exemplo. Por essa razão, provavelmente, muitas empresas estão investindo mais na saúde dos colaboradores, como percebe a diretora técnica da Personal System, clínica da Care Plus para promoção de saúde, Erica Barcellos. Bom para todos.

Fonte: Revista MELHOR Gestão de Pessoas - 04/2008 Edição :245

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